domingo, 5 de abril de 2009

Governança e sustentabilidade

Nenhuma empresa pode afirmar ter comunicação empresarial efetiva se não permite à sociedade ter acesso às informações relevantes de seu próprio desenvolvimento.


Desde os primórdios da Revolução Industrial, o tema gestão passou a ser obrigatório. Com a formação das primeiras grandes companhias industriais, a discussão sobre as melhores condições de trabalho cresceu.


A Guerra de Secessão dos Estados Unidos (1860-1864) teve um forte impacto nas relações humanas e nas estruturas empresariais agrárias e urbanas: o Norte, industrializado, necessitava de trabalhadores assalariados; o Sul, agrícola, contava com mão-de-obra basicamente escrava. Nessa região, por óbvias razões, não existia o debate sobre o papel econômico e social das fazendas ou ‘empresas rurais’.


Enquanto isso, o Norte já discutia o papel social que as estradas de ferro e as indústrias poderiam desempenhar. Notou-se que os habitantes desses estados estavam mais expostos à educação e ao conhecimento. Podemos afirmar que foram as empresas que contribuíram para o desenvolvimento socioeconômico dessa região, mesmo que neste início poucos promovessem a valorização profissional dos trabalhadores.


A formação dos primeiros sindicatos, por sua vez, deu início ao debate sobre a qualidade de vida no trabalho, ainda que naquela época ninguém soubesse qual a real dimensão de questões como diminuição da jornada, direito à alimentação, benefícios e outros.

Quando os sindicatos se consolidaram, por volta da década de 1960, nos Estados Unidos e na Europa começaram a surgir com muita força as ONGs. Muitas foram criadas para cobrar das empresas boas relações com a comunidade, especialmente no que dizia respeito a questões socioambientais.


Na mesma época, em todo o mundo, começaram a surgir leis específicas, com o objetivo de regulamentar as relações entre empresas e a sociedade. O movimento ficou ainda mais forte nas décadas subseqüentes, quando também foram criadas diversas instituições de defesa dos interesses do consumidor.


Seguindo essa tendência, os investidores que, inicialmente, entregavam seus recursos — interessados unicamente no retorno financeiro e sem a preocupação de como a empresa — atuavam para atingir esse objetivo, começaram a alterar suas posturas.

Tornou-se óbvio para todos que organizações com péssimas relações trabalhistas apresentavam um passivo enorme, menor produtividade e baixa motivação, o que refletia negativamente nos resultados operacionais. Além disso, empresas que poluíam o meio ambiente comprometiam o resultado financeiro da organização, graças às autuações dos órgãos reguladores e à própria atitude dos clientes.


Assim, nasce o conceito de governança corporativa, em que as relações de uma empresa com todos os seus públicos estratégicos são fundamentais para a execução de uma boa gestão. Essas idéias foram compiladas no final do século XX.


Em 1992, o Cadbury Committee desenvolveu o primeiro código de orientação das relações entre acionistas e gestores de empresas: The Cadbury Report. Podemos dizer que esse foi o primeiro código de governança corporativa.


A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elaborou, em 1997, o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, com ênfase nas relações da empresa com seus stakeholders.

Desde então, o debate sobre Governança Corporativa só cresceu. E no momento da crise atual amplia-se a discussão sobre estas práticas, além de uma forte reflexão relacionada à agilidade de tomada de decisões que este momento necessita.

No Brasil, em 1995, foi fundado o Instituto Brasileiro de Conselho de Administração (IBCA) mudando, dois anos depois, para Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Começava o debate no Brasil sobre governança corporativa – praticamente no mesmo instante que nas nações mais industrializadas.


Em 1999, o IBGC apresenta o primeiro código de melhores práticas de governança corporativa brasileiro, focado unicamente no conselho de administração.

Um grande momento no Brasil foi em 2007 quando a agenda do IBGC foi dedicada a debater a sustentabilidade na visão da governança corporativa e a convergência dos conceitos. O que traz uma reflexão: é possível praticas a governança corporativa sem ser sustentável? Ou ser sustentável sem praticar a governança? Minha reflexão parou na seguinte idéia: não importa se o biscoito vende mais porque é fresquinho ou se é fresquinho porque vende mais. Nessa analogia, o importante é que, ao mesmo tempo, o biscoito seja fresquinho e venda mais. Ou seja, que haja sustentabilidade e governança simultaneamente.


Toda empresa pode ter boas práticas de governança corporativa se adotar procedimentos de transparência, como parte de um sistema estratégico e integrado de comunicação, de forma a facilitar a oferta de informações aos públicos estratégicos. As organizações devem prestar contas de uma forma ágil, eficiente e respeitosa. Ainda, devem não só cumprir à risca toda a estafante legislação nacional, mas também os mais exigentes dispositivos de regulamentação internacionais.


As empresas que desejarem dar um salto de qualidade e cumprir os quatro princípios básicos da governança corporativa – transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa – devem, com a máxima prioridade, implantar modelos de gestão e programas de comunicação empresarial que poderão garantir a efetividade dos esforços.

 

Por Roberto Sousa Gonzalez (professor da Trevisan Escola de Negócios, diretor de estratégia de sustentabilidade da The Media Group membro do Conselho do Fundo Ethical da Santander Asset Management. E-mail: roberto@mediagroup.com.br)
HSM Online
31/03/2009

sábado, 28 de março de 2009

Boas vindas!!

Hoje gostaria de saudar e dar as boas vindas a nova turma que está começando o MBA em Gestão de Negócios da Faculdade dos Guararapes.

Caros alunos, sintam-se em um ambiente agradável e que promove aprendizado, novos conhecimentos e grande oportunidade de networking. Aproveitem cada momento deste curso, buscando novas práticas de mercado, conhecendo pessoas das diversas áreas, interagindo com a instituição nas suas diversas atividades, trocando idéias com os professores, os quais são experientes em suas áreas de atuação.

Enfim...

Desejo sucesso e bons estudos a todos!

Abraço,

Prof. Fábio Barbosa

terça-feira, 24 de março de 2009

Foi demitido? Que tal criar o próprio emprego em dez passos?

Artigo enviado por Manoel Brito, aluno do MBA em Gestão de Negócios da Faculdade dos Guararapes. Boa leitura!

SÃO PAULO - A primeira reação de quem é demitido é procurar culpados e erros (os seus próprios e os alheios). Após certo tempo, a sensação de que o mundo acabou passa e o candidato começa a pensar nas contas a pagar. A próxima reação natural é ligar para conhecidos, contar o ocorrido e sondar a respeito de oportunidades. Depois, é chegado o momento das pesquisas na internet e do envio de currículos. Mas Luiz Alberto Ferla, CEO da Knowtec, empresa especializada em Inteligência Competitiva, propõe o caminho inverso. No lugar de procurar por um emprego, por que não criá-lo? Segundo ele, a fatídica frase "infelizmente não vamos mais precisar dos seus serviços" pode ser a brecha para concretizar antigos sonhos, abrir o próprio negócio, ou mesmo trabalhar como autônomo. O importante é buscar a realização! Criando seu próprio emprego...

Antes de se aventurar, Ferla propõe dez passos necessários. Confira:

1. Entreviste você mesmo. Antes de se lançar na nova aventura, reflita sobre se você terá a dose certa de flexibilidade, paciência, cara-de-pau, iniciativa e determinação que ela exigirá. Ser patrão de si mesmo envolve uma mudança radical na vida;

2. Conheça o mundo no qual você está se metendo. Mesmo que vá iniciar seu caminho numa nova área, conhecer profundamente seu produto ou serviço é um passaporte para o sucesso. Não é indicado abrir uma empresa, por exemplo, se você ainda não se sente seguro no que se refere ao conhecimento necessário. Converse com quem está no ramo, faça cursos, acompanhe seus competidores;

3. O cliente é quem vai assinar seu cheque. Um fator determinante para o sucesso é conhecer o que o seu futuro cliente quer. Muitos empreendedores falham porque tinham na cabeça uma ideia do que o cliente desejava, quando, na verdade, o público-alvo buscava algo completamente diferente. Lembre-se de que os clientes não procuram comprar apenas um produto ou serviço. Antes disso, eles desejam adquirir um conjunto de benefícios que atendem às suas necessidades e expectativas;

4. Planeje. Escreva a descrição da sua futura empresa (ou emprego), faça uma análise do mercado e dos preços que você vai cobrar. Depois, elabore um plano de marketing e - o que é fundamental - um planejamento financeiro, deixando claro de onde você vai tirar o dinheiro (reservas, financiamentos especiais, empréstimo da família) e como vai utilizá-lo;

5. Você está bem-acompanhado? Antes de começar, é importante contar com apoiadores. Escolha o melhor contador que você conhece, um bom advogado (muita gente não gosta, mas eles são fundamentais) e, principalmente, um mentor, uma pessoa mais velha e experiente na qual você confia. Este mentor, ou mentora, pode ser achado numa faculdade, numa empresa de consultoria ou no próprio mercado;

6. Ande na linha. Ser oficial - fazer os registros e licenças necessárias, pagar impostos e seguir às demais orientações legais para formalização do negócio - é muito mais barato do que a chamada "economia informal". Se você for pego pela fiscalização, poderá ter de pagar por todo o passado e, provavelmente, terá de abandonar seus sonhos;

7. Onde estão os clientes? Comece espalhando a notícia entre quem você conhece. Esteja onde o cliente está: numa feira de negócios, convenções e eventos de interesse da área. Resumindo, mostre a cara;

8. Crie a sua identidade online. Dedique parte do seu tempo a criar e manter um website, com bom design e funcionalidades, e inicie uma conversa com seus futuros clientes e com o mundo. Uma página virtual é hoje parte essencial da estrutura da empresa e é o seu cartão de visitas para o mundo;

9. Invista em redes sociais. Sites de relacionamento e blogs são ferramentas que podem e devem ser utilizadas para que as pessoas conheçam o seu trabalho. O marketing online tem baixo custo e, se feito da forma devida, trará bons resultados. Mas atenção: não adianta pensar na web exclusivamente como um grande espaço para classificados. Para conquistar o respeito dos internautas é preciso criatividade e conhecimento da linguagem própria de cada tipo de cada ferramenta online;

10. Não desanime com as pequenas quedas. Empreendedores não se sentem ameaçados pelos obstáculos, imaginam caminhos novos. Aproveite os deslizes para mudar e criar valores. Iniciativa, persistência, especialização, persuasão e capacidade de assumir riscos são alguns dos traços que caracterizam o sucesso. Confie no seu potencial e mãos à obra!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Metodologia do repensar transformador

Confira os ganhos da prática desse método leva a competências duráveis, ou seja, habilidades além das formatações.

 

A metodologia do pensar transformador é a mobilização progressiva, integrada e harmoniosa do pensar crítico, do processo criativo e do pensar estratégico.

O decisor começa essa mobilização já ao mapear o desafio, que é "aquele momento em que o contemplar passivo da situação se transforma no primeiro ato da vontade para intervir na realidade".

 

Ao processar o cenário e logo em seguida o desafio estratégico, o decisor (individual ou grupal) adota as atitudes da divergência com o máximo rigor. Não se conversa, não valem as opiniões nem as maneiras de ver habituais, não cabe contar exemplos nem invocar teorias. Poderíamos adjetivar essa atitude como inocente e radical. A inteligência trabalha com o olhar inocente e não com a memória.

 

O cerne do pensar transformador é a "ginástica de alongamento do pensar mediante a alternancia das atitudes de divergência e convergência".

Os ganhos que a prática dessa "ginástica" tem proporcionado parecem não ter limites. Por exemplo, essa prática tem gerado competências duráveis, isto é, habilidades que transbordam das formatações.

 

Expliquemos melhor. Um alto executivo (ou um pesquisador científico) faz cursos formatados para lidar com situações especiais ou complexas. Se algo muda no contexto ou surge um quadro que foge à formatação prevista, é como se seu aprendizado tivesse ficado inútil no todo ou em parte. A metodologia do pensar transformador, porém, proporciona ao seu praticante um conjunto de habilidades que lhe permitem sair do "pensar que espera respostas" (ou da perplexidade) e mover-se a enfrentar tais "situações e desafios insólitos".

 

É impossível expandir o pensar quando a mente está ancorada em opiniões intocáveis. Por isso, os estrategistas clássicos  — militares, note bem — ficavam horas fazendo anotações em silêncio, ao redor do cenário montado. Só esse aprendizado singelo, ou seu equivalente metodológico para a nossa época, tem proporcionado um salto qualitativo surpreendente aos participantes dos nossos cursos.

 

"E se a pessoa não tiver a serenidade suficiente?"

Tem, normalmente tem. É uma questão de trocar a auto-suficiência aparente pela alegria de descobrir seus saberes não-prospeccionados.

 

Como essa qualidade do pensar funciona diante de uma crise?

Primeiro, confere à pessoa a flexibilidade estratégica de que carece para lidar com crises e outros "insolúveis". Na base, está aquela aptidão conquistada que chamamos de novo olhar.

Segundo, ao tornar o decisor alerta – ou perquiridor em atitude de divergência – para "normalidades" e "momentos áureos", habilita-o a prevenir as tais alterações de curso a que chamamos de crises.

 

Em outras palavras, ao ganhar maestria no pensar transformador o gestor torna-se mais alerta para prevenir crises em gestação oculta e mais capacitado a administrar crises que já tenham eclodido. Tudo graças àquela expansão nos procedimentos do pensar.

 


Por José Leão de Carvalho é diretor metodológico do Instituto Latino-Americano de Ciências Cognitivas e Estratégia (ilace@ilace.org.br)


HSM Online - 17/03/2009

Micro e pequenas empresas: sete práticas de sucesso

A implantação de um sistema de gestão em micro e pequenas empresas pode ser fundamental no resultado. Saiba mais!

 

Se me perguntarem qual é a característica mais fundamental para que um micro ou pequeno empresário tenha sucesso, não terei dúvidas ao responder: é a ousadia!

Digo isso porque esses profissionais, pela sua própria condição, precisam, obrigatoriamente, contar com essa qualidade em especial para não apenas começar um negócio, mas, principalmente, inovar e investir na qualidade de seus produtos e serviços de forma a serem competitivos no mercado em que estão inseridos.

 

É nessa hora que ter um sistema de gestão que assegure o cumprimento dos passos fundamentais para que o produto ou serviço ofereça a qualidade prometida é fundamental. No entanto, infelizmente, é muito comum entre os empreendedores brasileiros a crença de que essa implantação é penosa e capaz de trazer pouco retorno para a empresa.

 

Para a implantação de qualquer sistema de gestão, há sete importantes práticas. Geralmente elas são pouco valorizadas pelas micro e pequenas empresas, o que dificulta o sucesso desse trabalho, criado para facilitar a tarefa e não complicar a vida de quem a realiza.  São elas:

Planejamento: este é o primeiro passo a ser seguido. É nesta etapa que micro e pequenos empresários determinarão os rumos de seus projetos, ou seja, metas e métodos a serem seguidos para que se alcance o sucesso. Este trabalho inicial jamais poderá ser encarado como perda de tempo, pelo contrário, é o planejamento que possibilitará a antecipação de diversos cenários e possíveis problemas;

 

Capacitação: a capacitação de sua equipe é uma questão extremamente importante para o bom andamento do planejamento. Novos aplicativos e ferramentas são sempre bem-vindos, desde que seus funcionários sejam treinados de forma adequada para usá-los. Caso contrário, você apenas terá gastado dinheiro à toa. Fica aqui uma sugestão: invista em comunicação e conscientização interna, assim, sua equipe poderá realmente entender o Sistema de Gestão que a organização segue e o que ela espera com ele;

 

Disciplina: é fundamental que todos os seus colaboradores estejam envolvidos e motivados a cumprir o Sistema de Gestão vigente, afinal, disciplina é primordial para o sucesso de qualquer projeto, tanto pessoal quanto empresarial. Além disso, o planejamento só poderá ser cumprido se todos desenvolverem suas funções pré-estabelecidas;

 

Investimento: invista em recursos materiais e pessoais, pois somente assim sua equipe terá meios adequados para executar com excelência suas funções. Um trabalho bem feito exige um conjunto de recursos e não apenas um ou outro item qualquer. Mesmo que o orçamento de sua micro ou pequena empresa seja enxuto, pesquise bem e tente ao máximo encontrar bons produtos a preços acessíveis;

 

Produtividade: comumente costumamos ouvir nos corredores das empresas, sejam elas grandes ou pequenas, que “o dia não é o bastante”, que “o trabalho parece que não render”. Caso isso ocorra na sua empresa, pare e faça um diagnóstico: como meus funcionários usam o tempo de trabalho? Será que algo está os distraindo, tirando-lhes o foco? A partir de então, tome atitudes para resolver o problema de queda de atenção e produtividade. Às vezes, medidas simples como a adoção de um software de gerenciamento, podem ser o suficiente;

Comprometimento da gerência: não tenho dúvidas de que uma equipe estará mais motivada e comprometida com o trabalho ao perceber que a gerência está, de fato, também empenhada. Um bom líder incentiva seus colaboradores, dialoga com eles, mostra-se acessível. Não deixe de comemorar conquistas e incentivar o crescimento de seus funcionários; e

 

Análise e Melhoria dos Processos: não basta apenas focar no resultado final. Um bom empresário é aquele que entende todo o processo de construção e todas as etapas que o levaram ao sucesso. Dessa forma, ele aprende muito, pois, certamente, durante esse processo ocorreram erros que, no futuro, servirão como experiência.

 

Por Rogério Campos Meira (engenheiro mecânico, mastère em management de La Qualité pela ENSAM – França, Certified Quality Auditor, Certified Manager of Quality/Organizational Excellence e Certified HACCP Auditor pela ASQ – EUA e diretor-executivo da Academia Tecnológica de Sistemas de Gestão)


HSM Online - 17/03/2009

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Assunto cada vez mais em voga: a liderança.

A chegada de um novo presidente nos Estados Unidos e a grande expectativa que existe no mundo para encontrar um guia que ajude a enfrentar estes tempos de turbulências econômicas fazem deste tema uma questão indispensável e necessária, como nunca antes fora. Há conselhos de Ram Charam para que os líderes adaptem suas estratégias ao clima atual, Bill George descreve a liderança no século XXI, Marcus Buckingham explica como valorizar seu próprio potencial como líder, e há reflexões de quem liderou durante mais de uma década os recursos humanos da GE: William Conaty. Aproveitem o material, e esperamos que queiram compartilhar conosco suas opi niões e comentários.

Equipe Editorial de Inspiring Ideas – HSM MANAGEMENT

Tips from the Top
O que os líderes devem fazer nestes tempos turbulentos?

A seguir, há 5 conselhos de Ram Charam, um dos mais influentes conselheiros em negócios e autor do recente livro “Leadership in the Era of Economic Uncertainty: The New Rules for Getting the Right Things Done in Difficult Times”, no qual desenvolve alguns pontos-chave para os executivos neste momento de constante mudança.

1. Acredite em si mesmo. Se você é um alto executivo enfrentando a crise atual, deve assumir uma postura positiva e focar-se no que deve ser feito dentro de sua empresa.
2. A liquidez é a rainha. Com os mercados financeiros no meio de uma turbulência e os créditos justos ou não existentes, hoje seu modelo de negócios deve girar em torno da liquidez.
3. Monitore sua liquidez. Cuide diariamente de sua liquidez. Avalie o cash flow das semanas e meses seguintes.
4. Tire vantagem de seus recursos humanos e de sistemas. Convença a sua equipe de trabalho que o dinheiro é o rei e faça com que criem suas próprias avaliações sobre como fazer para que ele continue vindo. As áreas de vendas, tecnologia e back-office podem contribuir com ideias para melhorar a posição de liquidez da empresa, fornecer informações cruciais sobre o que realmente está acontecendo e que passos devem ser tomados.
5. Analise seus clientes de acordo com seu valor de liquidez. Se tiver clientes que possuem bom cash flow e perspectivas de crescimento, trabalhe com eles e fortaleça sua relação. Ajude-os a crescer. Se tiverem baixa liquidez, restrinja sua participação.

DNA do sucesso Rolls Royce – Excelência

Em 1904 Henry Royce construiu seu primeiro automóvel. Dois anos depois, conheceu Charles Rolls, um vendedor de carros em Londres, e juntos formaram o que com o tempo se transformaria em uma das empresas de automóveis mais conhecidas e antigas do mundo. Embora Rolls não pode viver para ver (em 1910 ele foi o primeiro inglês a morrer em um acidente de avião) que a empresa que ele ajudou a fundar se transformava em um estandarte da excelência britânica em fabricação, construindo automóveis, motores para a indústria naval e aérea, bem como se diversificando em direção às áreas de produção de energia.

Hoje o sucesso da Rolls Royce continua em alta, contrapondo o contexto recessivo das fábricas britânicas. Porém, o caminho não foi fácil. Os esforços para criar um motor de avião mais eficiente, em 1970, estiveram perto de levar a empresa à falência e, em 1971, a empresa foi nacionalizada pelo governo inglês. Entretanto, foi esta inovação frustrada que seria uma parte importante no sucesso da empresa duas décadas depois.

Vendida pelo governo em 1987, a Rolls Royce voltou a ser novamente uma empresa privada. E as inovações que chegaram perto de levá-la à falência nos anos 70 acabaram sendo as bases de seu sucesso subsequente - com tecnologias que resultaram em produtos mais eficientes, eficazes e adaptáveis. Hoje seus motores de avião são usados em 45 das 50 melhores companhias aéreas do mundo. A habilidade de somar sua reconhecida excelência nos motores a um serviço de assistência de excelência levou a empresa a um novo nível. A Rolls Royce tem a capacidade de monitorar o rendimento de cada um de seus motores durante o vôo, tornando o processo de detectar e resolver problemas muito mais eficiente. Em 1981, somente 20% de seus lucros vinham do serviço pós-venda, enquanto hoje representa mais de 50% de seus lucros.

Os novos projetos incluem um trabalho em conjunto com a GE, um de seus principais concorrentes, em uma iniciativa do governo norte-americano para melhorar a eficiência dos motores aéreos. Sua vasta experiência tecnológica está sendo aplicada na área de energia nuclear, e recentemente a empresa fechou um acordo de US$130 milhões com uma empresa de gás indiana para instalar turbinas que ajudarão a melhorar o fluxo e a distribuição do gás.

A Rolls Royce é muito mais que um ícone de carros de luxo; é uma empresa inovadora e globalizada, que une eficientemente sua qualidade de fabricação com um serviço de excelência por meio de uma gama de tecnologias de primeira linha.

A Empresa num relance
• 39.529 funcionários.
• Lucro de 10 bilhões em 2008.
• Capitalização de Mercado: 592,800 milhões.
• Fábricas e prestadoras de serviço em 50 países.

CRISE? QUE CRISE?

Artigo enviado por Brito, turma A do MBA Gestão de Negócios da Faculdade dos Guararapes.
Aqui tem vaga

Os setores que oferecem oportunidades e o perfil de quem vai se dar bem
Por FABIANA CORRÊA E JOSÉ EDUARDO COSTA

Tathiane Simões, 37 anos, consultora de vendas da Duke: energia precisa de vendedores que inovam

Os setores que oferecem oportunidades e o perfil de quem vai se dar bem no meio da tormenta de demissões e cortes de gastos, há setores que mantêm seus investimentos e continuam contratando. É o caso de empresas dos segmentos de varejo, alimentos e bebidas, energia e serviços de terceirização. Em tecnologia da informação, por exemplo, companhias de médio porte estão absorvendo profissionais que vêm do mercado financeiro, que anda em baixa. As empresas de terceirização de serviços ganham mais na crise, pois são vistas como um artifício para cortar gastos, por exemplo, por meio da implantação de novas tecnologias, otimização da estrutura de TI e até de gestão de condomínios. “Com a necessidade de corte de custos, nós ganhamos clientes que precisam gastar menos”, diz Roberto Marinho Filho, presidente da TCI, que deve contratar cerca de 1 000 profissionais neste ano. Vale lembrar que boa parte dessas vagas é mesmo para a base da pirâmide corporativa e absorve gente que foi cortada de empresas de outras áreas. Mas há também oportunidades, ainda que em menor quantidade, para analistas, gerentes e diretores nas empresas que pesquisamos. Estamos preenchendo agora uma vaga de gerente industrial, que foi aberta recentemente, e procuramos ainda supervisores”, diz Wellington Maciel, diretor de recursos humanos da Norsa, distribuidora da Coca-Cola em diversos estados do Norte e Nordeste. Conversamos com os grandes empregadores, executivos de diversos setores, analistas e headhunters que revelam os setores mais quentes na crise e o que as empresas esperam de seus profissionais . SETOR VAREJOContinua contratando » Está mais longe da crise quem vende produtos de primeira necessidade. “O setor não deve deixar de contratar, pois o governo está colocando dinheiro na economia”, diz o professor James Wright, da Fundação Instituto de Administração (FIA), de São Paulo. “O dinheiro que sobra de produtos mais caros é transferido para a compra de itens básicos”, diz Gilberto Guimarães, da consultoria BPI, que estruturou a academia de treinamentos do grupo de shoppings Iguatemi.

TEMPERATURA - QUENTISSIMA
Habilidades em alta
“Esses profissionais precisam inovar e encontrar soluções para vender seus produtos”, diz Gilberto. Um exemplo recente vem das Casas Bahia, que no mês passado começaram a vender também pela internet, como fazem as Lojas Americanas e o Ponto Frio. Atualmente se exige um profissional com amplo conhecimento da operação. “É comum ver gerentes acompanhando o dia-a-dia do frigorífico”, diz Renata Moura, executiva de RH do Carrefour. Esse gestor também deve entender as particularidades do negócio, como posicionamento e precificação, tem de ser um hábil negociador e criar oportunidades.
Onde estão as vagas
No ramo de supermercados, as estrelas são Wal-Mart, Carrefour e Pão de Açúcar. Entre os grandes lojistas, o destaque é a Renner. O Wal-Mart anunciou que vai contratar 10 000 profissionais em 2009. E o Pão de Açúcar pretende recrutar 400 gerentes para suas lojas.

ALIMENTOS E BEBIDAS
Aqui também tem vaga » Assim como o varejo, este setor faz parte do segmento de consumo. Seus produtos são de primeira necessidade e de baixo valor, portanto, a tendência é que as vendas de alimentos e bebidas não sofram queda brusca. “Vale lembrar que esse setor é o último a sentir a crise e o primeiro a se recuperar”, diz Francisco Ropero Ramirez, da ARC, empresa de recrutamento de executivos em São Paulo.

TEMPERATURA - Quentíssima
Habilidades em alta
Gestão de custos, logística, comercial e planejamento. Profissionais dessas áreas estão com o passe valorizado. “Neste momento, corte de gastos e resultados rápidos são prioridades”, diz Wellington Maciel, diretor de RH da Norsa, distribuidora da Coca-Cola na Bahia, no Ceará e no Rio Grande do Norte. “É importante não se desesperar com a situação, para continuar atento às metas de longo prazo. Mas fazer mais para vender bem hoje”, diz Cristiane Mendes, de 31 anos, coordenadora de da empresa. trade marketing da empresa.

Onde estão as Vagas
Nos fabricantes, distribuidores e revendedores de produtos, principalmente os mais populares de primeira necessidade. Somente a Perdigão e a Kraft, juntas, vão abrir 14 000 postos de trabalho. Há oportunidades no nível operacional e gerencial. ENERGIA Tendência de expansão » É um setor regido por investimentos de longo prazo e que não deve cair muito, pois a demanda do consumidor aumentou — basta lembrar a ascensão de 30 Milhões de brasileiros ao mercado consumidor nos últimos anos e a busca por fontes renováveis de energia. As indústrias, grandes compradoras, devem puxar para baixo, mas vale lembrar que o governo investe em fontes alternativas.

TEMPERATURA – Quentissima
Habilidades em alta
Aqui, o cliente é rei e quem trabalha (ou pretende trabalhar) na área tem de pensar novas formas e serviços para facilitar a vida do consumidor, incluindo grandes indústrias. “A área financeira precisa otimizar custos”, diz Maria Cecília Frozza, gerente de recursos humanos da Duke Energy, de geração e transmissão de energia. “Você tem que fazer uma venda que envolva diversas áreas da empresa, para oferecer algo novo”, diz Tathiane Simões, de 37 anos, consultora de comercialização da empresa.

Onde estão as vagas
Energia renovável é um dos setores que precisará de gente que entende do assunto. A Elektro e a Eletrobrás pretendem recrutar 336 profissionais este ano. Há oportunidades ainda nas empresas ligadas à cadeia de exploração de petróleo.
SERVIÇOS Trabalho de sobra » As empresas de terceirização de serviços ganham mais na crise, pois são vistas como um artifício para cortar gastos, por exemplo, por meio da implantação de novas tecnologias e otimização da estrutura de TI. “Com a necessidade de corte de custos, nós ganhamos clientes”, diz Roberto Marinho Filho, presidente da TCI, empresa de terceirização que deve contratar em torno de 1 000 profissionais neste ano.

TEMPERATURA – Quente
Habilidades em alta
Os profissionais precisam ser flexíveis, já que grande parte das oportunidades é para analistas de tecnologia da informação e consultores, que em muitos casos trabalham na empresa contratante. “Tem que ter empatia para conversar com os clientes e transformar o que eles dizem em uma solução”, diz Gilberto Guimarães, da BPI. “O cenário é bom nessa área e ganha quem tiver visão de novos negócios”, diz Daniel Guedes, de 31 anos, diretor da área de expansão de negócios da TCI, que recentemente fez uma aliança com a PricewaterhouseCoopers. Onde estão as vagas
Empresas grandes e médias. Profissionais especializados em rede são valorizados. Outra aposta das empresas de terceirização é o segmento de saúde, que cuidam da cadeia logística de medicamentos. Oferecem ainda gestão de documentos e de condomínios.
AgronegócioAinda há boas oportunidades » O setor recebeu injeção de capital do governo e o preço das subiu em janeiro, o que animou os commodities executivos da área. As grandes empresas no segmento vinham em um movimento forte de modernização, com investimentos em plantas industriais e capacitação dos profissionais de campo, que são a linha de frente dessas companhias junto aos clientes — fazendeiros e agricultores. O setor reduz investimentos, mas há oportunidades de emprego.

TEMPERATURA - Morna
Habilidades em alta
A profissionalização da força de trabalho continua, embora com investimentos mais enxutos. “Mesmo na crise você precisa ter pessoas capacitadas”, diz Gerhard Bohne, diretor de operações da Bayer CropScience, divisão de desenvolvimento de sementes e biotecnologia da Bayer, que responde por 43% do faturamento do grupo no Brasil. O foco é na área de vendas e marketing. Novamente, aparece o bom vendedor. “Profissional da área comercial com conhecimento técnico, que atua como consultor, está em alta”, diz André Bocater Szeneszi, diretor-geral da Alpen, de recrutamento de executivos com sede em São Paulo.

Onde estão as vagas
Este ano, somente o grupo Bayer vai contratar 160 profissionais no Brasil. O foco é na área de vendas, marketing e pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Novamente, aparece o bom vendedor, com mais habilidade de fazer uma venda técnica e com argumentos fundamentados em dados.

FARMACÊUTICO E SAÚDE
Procuram-se gestores » O setor contratou executivos em 2008 e segue recrutando. As empresas de medicina, aponta a consultoria DBM, ampliaram em 81% o número de vagas para executivos, em relação a 2007. Já o segmento farmacêutico apresentou alta de 72%. “Essas indústrias se profissionalizam e buscam profissionais experientes no mercado. Esse é um movimento que deve continuar”, diz Cláudio Garcia, presidente da DBM.

TEMPERATURA - Morna
Habilidades em alta
Quem já tem conhecimento do negócio e do mercado ganha, pois também está se profissionalizando e precisa de gente que dê suporte a esse crescimento. A área de compras e a financeira são das que mais têm recrutado profissionais. Onde estão as vagas
Fabricantes de remédios de uso continuado, como é o caso de diabetes, e de medicamentos de baixo preço demoram mais para sofrer os efeitos da economia em queda. “Os pacientes preferem cortar muitos outros gastos antes de interromper um tratamento essencial”, diz Claudio Coracini, presidente da dinamarquesa Novo Nordisk no Brasil, fabricante de insulina. A área de exames clínicos e serviços de saúde em geral deve diminuir, mas não cortar completamente as contratações que vinha fazendo desde 2008. O Hospital Albert Einstein, de São Paulo, abre 500 vagas em 2009.

QUEM SOBE
Os departamentos em alta nesta hora

Marketing e comercial
Estão entre os mais demandados. Os dois andam juntos para encontrar novas formas de vender os estoques acumulados. Por outro lado, a área de produção cai com os baixos resultados da indústria.

Financeiro Sai o homem que entende de investimentos e fusões e entra o controller. É hora de cortar gastos e descobrir maneiras de pagar menos impostos legalmente. Além disso, quem encontrar formas de oferecer mais crédito ao consumidor, apesar da cautela dos bancos, estará em alta no momento atual.

Compras
Quem trabalha na área de compras está entre os responsáveis pelo corte de gastos e tem de encontrar soluções criativas para ter resultados com menos dinheiro.

De olho nos indicadores
Alguns indicadores podem ajudá-lo a dimensionar o impacto da crise sobre o setor em que a sua empresa atua — e também sobre sua carreira. Esses índices são divulgados pelos jornais. Fique de olho.

Crédito 45%
É o percentual do PIB que será oferecido como crédito. A expectativa é de que a oferta de linhas aumente entre 15% e 20% em 2009. Setores ligados ao consumo, como varejo, alimentos e bebidas, tendem a se beneficiar. Com mais capital, as empresas investem mais.
Fonte: Tendências

Conta corrente - US$ 28,3 bi*
Apresenta o saldo de transações com o exterior. Em uma crise internacional, as companhias enviam maior quantidade de moeda para a matriz. “Se a sua empresa é americana ou inglesa, é mais provável que haja cortes de gastos”, diz Luiz Antônio Concistré, consultor da DBM.

*Em 2008
Produção industrial – 12,4%
A produção de veículos automotores no país caiu fortemente no final de 2008 e puxou a atividade da indústria brasileira para baixo. Para ajustar os estoques à demanda (mais baixa), a indústria teve de diminuir o ritmo: demissão e férias coletivas para boa parte.

Balança comercial - US$ 518 mi
A balança comercial registra as exportações e importações feitas no país. Com a desvalorização do dólar, os produtos brasileiros ficam mais baratos no mercado externo, o que favorece as exportações. Setores de commodities agrícolas e minerais saem ganhando.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

EMPRESAS x PLANO DE NEGÓCIOS x CRISE FINANCEIRA MUNDIAL


A crise financeira que se alastrou ao redor do mundo já fez várias vítimas. Bancos foram comprados, outros em fusões. Os Estados Unidos “tomaram um tombo” que provavelmente fez americano lembrar de 1929 com a derrocada do mercado financeiro da época, o qual refletiu enormes prejuízos como; 25% dos trabalhadores perderam seus empregos, muitos investimentos na bolsa de valores “viraram pó” (perda total) e diversas empresas quebraram.
Obviamente o tempo é outro e nem de perto a crise atual trará os prejuízos daquela época. Os bancos centrais do mundo inteiro estão atentos e para evitar problemas maiores de liquidez no sistema financeiro injetaram quase 2 trilhões de dólares no mercado, a fim de mostrar ao mundo que aprenderam com a crise de 1929. Os governos e bancos centrais estão atentos a todo o movimento, e desta vez não deixariam que a crise de confiança dos investidores se alastrasse, como podemos observar pelas ações tomadas em conjunto e individuais. Pois se isso acontecesse novamente, seria um corre-corre aos bancos e realização de saques totais como ocorreu naquela época. O resultado seria quebradeira de instituições financeiras e um efeito dominó até chegar à economia real com recessão imensa e péssimos resultados das empresas, terminando também por falências de organizações.

Mas, o que tudo isso tem a ver com o plano de negócios?

Semana passada a Petrobrás anunciou que suspendeu a divulgação de seu plano de negócios para 2009 até o final deste ano, o qual seria publicado agora em outubro. Por quê? Sua equipe técnica fará uma revisão do plano prevendo recessão externa e interna, projeções de preços da commodity para 2009, etc. Somente após o novo cenário que objetivos, investimentos e novos números para suas metas serão anunciados. Portanto, é fato de que o planejamento estratégico e planos de negócios devem ser revistos por nossas empresas brasileiras, talvez até mesmo lançar mão do plano B, pois mesmo com a economia do Brasil em bom momento e país crescendo e em desenvolvimento, reflexos indesejáveis às empresas e consumidores acontecerão. Como restrição de créditos internacionais para empresas exportadoras, como também crédito interno, aumento de taxas de juros, diminuição de tempo para pagamentos de financiamentos etc.

Portanto, é de muito bom tom que os gestores façam uma releitura de seus planejamentos a curto e médio prazo. Talvez seja necessário mudar alguma estratégia ou rota para que no longo prazo, efetivamente, alcance o previsto no planejamento estratégico ou plano de negócios inicial da organização.

Sucesso!!
Fábio Barbosa

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Bolsa ainda é a melhor aplicação

Caros leitores,

Com tantas turbulências no mercado financeiro, sobretudo ações, apresento uma entrevista que saiu na última Você/sa de setembro/08 com Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central.



Segundo o economista Gustavo Franco, o investidor amadureceu e não se assusta tanto com o mercado de ações


O economista Gustavo Franco ficou conhecido como o homem que segurou o dólar a 1 real. Isso foi há exatos dez anos, quando ocupava o comando do Banco Central. À frente da Rio Bravo Investimentos desde 2000, gestora carioca de recursos que montou com dois ex-sócios do banco Pactual, ele avalia, nesta entrevista, a evolução da economia brasileira de lá para cá, em especial a do mercado de capitais, e conclui: “A situação é confortável”. Recomenda paciência aos investidores nos momentos de turbulência. E reitera: “A melhor aplicação, hoje, é a bolsa”.

O Brasil recebeu o grau de investimento, mas a bolsa vem andando de lado. Existe aí uma boa oportunidade para comprar ações agora?
Sim, existe uma oportunidade maravilhosa. O índice Dow Jones [da Bolsa de Nova York] está hoje no mesmo patamar de 2000. A bolsa brasileira, naquela ocasião, estava na faixa de 8 000 pontos. Hoje, o Ibovespa gira em torno dos 60 000 pontos. Não há dúvida de que fizemos um progresso extraordinário. Em 1993, era possível comprar todas as empresas do Ibovespa com um cheque de cerca de 85 bilhões de dólares. Hoje, esse mesmo conjunto de empresas vale 1,6 trilhão de dólares.

Há espaço para a Bovespa subir mais?
O que os analistas fazem são comparações internacionais, às quais chamam de múltiplos. Eles calculam quantos anos de faturamento custa uma siderúrgica na Coréia, por exemplo, e quantos anos ela custaria no Brasil. Em tese, deveria ser o mesmo resultado, guardadas as diferenças entre os dois países. Mas comparando o Brasil mundo, as empresas daqui esperado delas um crescimento

Voltando um pouco no tempo, que balanço o senhor faz do mercado de capitais brasileiro nesses últimos dez anos?
Os números não só um histórico extraordinário de valorização das companhias brasileiras como também há uma evolução institucional extremamente favorável. Do ponto de vista da regulamentação, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma instituição muito mais poderosa, competente e estruturada. Do ponto de vista das empresas, basta observar que temos exatas 100 companhias listadas no novo mercado, que adotaram práticas de governança corporativa e estão entre as melhores do mundo. Quando o novo mercado foi inventado não se vislumbrava tamanho sucesso. Em outros países, a iniciativa de se fazer uma listagem diferenciada não funcionou tão bem.

A indústria de fundos de investimento evoluiu nesse mesmo ritmo?
A indústria de fundos, que foi muito afetada pelo passado inflacionário e pela natureza da dívida pública brasileira, atualmente está superdesenvolvida. Tanta popularidade dos fundos de investimento até capturou um pouco do interesse que deveria ser destinado a outros ativos financeiros. No futuro, essa concentração de recursos em fundos vai vazar para outros instrumentos, como a própria bolsa e ativos lastreados em imóveis.

Os
fundos multimercado viraram uma febre, mas nos últimos meses amargam baixa rentabilidade e resgates. O que está acontecendo?
Os multimercado eram, no início, muito focados em operar juros e câmbio. Tiveram uma vida relativamente fácil porque essas variáveis permitiam estratégias direcionais sem muito mistério. Nos últimos anos, houve uma mudança importante, que foi a subida da bolsa. A expertise em ações nunca esteve presente nesses multimercado. A maior parte deles era extensão das tesourarias dos bancos com profissionais que vieram de lá e que não sabiam nem operar na bolsa. O que estamos vendo hoje é uma certa modificação dessa indústria, em que os multimercado estão mais focados em bolsa. E esses, sim, são os mais bem-sucedidos.

Até algum tempo atrás, a bolsa era vista por muitos como um cassino. Por que esse entendimento mudou?
Uma coisa que não muda é a instabilidade desse tipo de mercado. Não existe investimento bom sem risco, e isso o investidor brasileiro já compreende perfeitamente. O que talvez seja diferente hoje é que o mercado de ações inspira uma confiança que não existia antigamente. O mercado tem uma dimensão diferente daquela lá de trás, quando, por exemplo, a Bolsa do Rio quebrou. Não existem mais conspirações nem manipuladores. Agora, temos uma das maiores bolsas do mundo, que também adota as melhores práticas mundiais. O olhar que a sociedade tem sobre essas instituições é de merecida confiança.

Depois de cinco anos consecutivos de alta, a Bovespa enfrenta turbulências e deixa assustado o investidor novato. Quais os principais erros cometidos nessas situações e como evitá-los?
O erro típico é vender ações em momentos de turbulência. O investidor até pode ter comprado mal uma ação, como num IPO [lançamento inicial de ações], que nunca é barato, e ainda assim a melhor coisa a fazer é esperar. As empresas vão continuar funcionando, vendendo, crescendo e pagando dividendos. O investidor, às vezes, nem leva em conta o que vem recebendo. O segredo, portanto, é ter paciência.

O investidor deve ter uma postura mais cautelosa daqui para a frente, ou a tendência de maior tomada de risco permanece?
A bolsa oferece boas oportunidades de compra para o investidor e o mesmo vale para os fundos de ações e multimercado com ênfase em ações. Aqui, na Rio Bravo, estamos vendo muitos papéis baratos e comprando. Essas coisas daqui a pouco vão para cima porque não têm como cair muito mais. É uma questão de acreditar nos fundamentos econômicos das empresas e do país.

Para um investidor que tem disponível entre 10 000 e 20 000 reais, qual aplicação o senhor recomendaria?
A melhor aplicação hoje é a bolsa. Para o pequeno investidor, há duas alternativas. Uma é lidar diretamente com a compra de ações de uma companhia. É interessante como experiência acompanhar seu desempenho, participar de assembléias. Isso tudo faz parte da educação financeira e é muito positivo. Para quem não quer ter esse trabalho, a melhor alternativa é aplicar em um fundo. O aplicador estará contratando um profissional que vai fazer as escolhas e acompanhamentos por ele. A dificuldade é que a aplicação mínima exigida é maior, na faixa de 50 000 reais. Escolher um fundo, porém, é uma decisão tão importante quanto escolher uma ação. O investidor terá que gastar um pouco do seu tempo para olhar diferentes gestores, ouvir conselhos e formar os próprios critérios. É preciso ter convicção na escolha, pois esse gestor vai acompanhá- lo durante algum tempo. Fundo de ação não é para entrar e sair dois meses depois. É namoro longo, tem que ter certeza de que conhece bem.

O senhor já lançou livros com os pensamentos econômicos de Fernando Pessoa e Machado de Assis. Está preparando algum outro?
Estou trabalhando em dois projetos. Um que deve estar pronto no começo de dezembro é a reedição de um livro que foi publicado nos anos 50, sobre um episódio ocorrido em Portugal, em 1925, com um senhor chamado Alves Reis. Esse homem criou, na essência, um processo de falsificação de dinheiro. Ele se fez passar por emissário do Banco Central português e conseguiu fazer uma encomenda de dinheiro legítimo em uma quantidade absurda, de tal maneira que acabou organizando um banco e fazendo uma espécie de política monetária paralela à do governo. Isso criou uma quizumba sem tamanho na economia portuguesa. Depois de descoberto o esquema, uma série de questões conceituais importantes sobre a natureza do dinheiro começou a ser levantada. Parece um romance policial dos bons, mas a história é verídica. O outro livro é uma tradução de Shakespeare, que se vem adicionar à mesma coleção de Machado e Pessoa, grandes autores da literatura.

domingo, 7 de setembro de 2008

Logística e características do perfil empreendedor

Caros leitores,


Não deixem de ler a postagem abaixo, pois é um "case" de sucesso, respeitado pelas melhores e maiores escolas de negócios do mundo. Enviado pela aluna, Izabela Rios, do MBA em Gestão de Negócios da Faculdade dos Guararapes.


Boa leitura!!


Fábio Barbosa
Coord. MBA Gestão de Negócios - FG

Os marmiteiros de Harvard

EXAME - Em Bombaim, a maior metrópole da Índia, um grupo de 5 000 homens com uniforme e chapéu branco executa todos os dias um serviço de entrega sem igual no mundo. No início da manhã, os dabbawalas (“carregadores de marmitas”, em hindi) retiram cerca de 200 000 refeições prontas da casa de seus clientes. O destino são milhares de escritórios localizados na área comercial, no lado oposto da cidade. Há um preciso limite de tempo para que o trabalho dos dabbawalas seja finalizado — o horário do almoço desses 200 000 trabalhadores indianos. Durante a coleta nos bairros residenciais, os dabbawalas se valem de bicicletas, carrinhos de mão ou caixas de madeira que comportam até 60 marmitas. Das casas, seguem para as estações de trem, onde outros integrantes dessa rede logística organizam sua distribuição de acordo com o destino das refeições. No desembarque, na área comercial da cidade, um novo grupo se encarrega de entregar em mãos o almoço caseiro nos escritórios. Uma hora depois começa a jornada reversa, e todas as marmitas são devolvidas a seus locais de origem. O lema dos dabbawalas é “Levar comida a alguém é o mesmo que servir a Deus”. E eles realmente encaram com seriedade a missão. Apesar da quantidade de encomendas, da precariedade dos recursos empregados e da confusão de trânsito nas ruas de Bombaim, o serviço tem índice de falhas próximo de zero. Num artigo recente, a revista inglesa The Economist estimou que ocorre um erro a cada 16 milhões de entregas dos dabbawalas. A americana Forbes classificou seu sistema logístico como um dos mais engenhosos do mundo.

Nos últimos anos, por causa dessa impressionante taxa de eficiência, o trabalho dos marmiteiros de Bombaim passou a ser estudado por grandes empresas e escolas de negócios do Ocidente. O reconhecimento da competência em logística faz hoje com que os dabbawalas dividam seu tempo entre as entregas de marmitas e as palestras. Nesses eventos, eles apresentam os fundamentos de seu sistema a platéias formadas por empresas como Coca-Cola, Siemens e Daimler-Benz e dão aulas a alunos de universidades como Harvard, Michigan e Stanford. “Por ano, realizamos uma média de dez palestras — até no exterior”, afirmou a EXAME Manish Tripathi, presidente da Fundação Dabbawala, parte da cooperativa que reúne os marmiteiros de Bombaim.

Esses trabalhadores são uma espécie de síntese do atraso do capitalismo do país. E é exatamente por isso que eles se tornaram uma referência. A primeira lição que emerge com a análise de seus incríveis índices de eficiência é que tecnologia e capital são ótimos — mas a falta deles não significa a impossibilidade do sucesso. Com suas bicicletas e o suporte do sistema de transporte público, os dabbawalas mantêm as entregas de marmitas em dia. Como se fosse o bastão de uma corrida de revezamento, as refeições trocam de mãos até quatro vezes durante o percurso (as entregas são realizadas num raio de até 70 quilômetros). O destino de cada uma das marmitas é identificado por um código composto de cores e letras, simples o suficiente para ser compreendido por uma maioria semi-analfabeta de entregadores. Cerca de 85% deles não concluíram o ensino fundamental. Em troca do serviço, os dabbawalas ganham, em média, 120 dólares por mês, rendimento considerado razoável no país para pessoas com baixa escolaridade. “Somos como um Fedex, só que entregamos comida quente”, disse o dabbawala Dhondu Kondaji Chowdhury, numa reportagem publicada recentemente pelo jornal The New York Times.

De forma intuitiva, a organização dos dabbawalas segue os mais modernos manuais de administração. Os entregadores têm autonomia para realizar seu trabalho — os problemas são resolvidos sem a consulta a chefes ou superiores — e há apenas três níveis na hierarquia da cooperativa. Há os entregadores; os coordenadores, que cuidam da distribuição das encomendas nos trens; e o pessoal do apoio administrativo, que fica no escritório. Todos recebem o mesmo salário e são bonificados quando a cooperativa conquista novos clientes. “Nunca houve uma greve sequer na história do serviço”, afirma Tripathi, da Fundação Dabbawala. Tripathi esteve recentemente em Dubai, nos Emirados Árabes, para dar lições de motivação inspiradas nos marmiteiros a uma platéia de 1 000 executivos. “Os dabbawalas têm orgulho de manter a alta taxa de eficiência do serviço e se preocupam com a qualidade do trabalho. Na prática, é como se todos fossem sócios da empresa”, diz.

Além de símbolos de eficiência logística, os dabbawalas viraram nos últimos tempos ícones de “empreendorismo social”. Num país com altas taxas de pobreza, como é a Índia, a operação consegue oferecer serviço e remuneração digna a pessoas que não teriam muitas oportunidades no mercado de trabalho devido à baixa qualificação. A cooperativa mantém uma reserva de caixa para socorrer associados em dificuldades financeiras. “Os dabbawalas são peritos na separação e na distribuição das latas, trabalhando como elos de uma corrente, passando as marmitas entre si, em diversos estágios”, escreveu Richard Donkin, articulista do jornal Financial Times, no livro Sangue, Suor & Lágrimas, que tem um capítulo dedicado à história dos marmiteiros indianos. Figuras típicas na paisagem de Bombaim, os dabbawalas viraram personagens de obras de literatura. No livro Versos Satânicos, de Salman Rushdie, por exemplo, um dos principais personagens trabalha como dabbawala antes de se tornar um astro de cinema.

Quentinhas a jato

As características que fazem do sistema de entrega de marmitas na Índia um modelo mundial de logística:

Eficiência - O sistema tem taxa média de um erro a cada 16 milhões de entregas.

Organização - Existem apenas três níveis hierárquicos entre os marmiteiros, e cada um deles tem autonomia para resolver problemas que surgem durante as entregas.

Simplicidade - O modelo mostra que nem sempre são necessários grandes investimentos e alta tecnologia para um serviço efi ciente. Os marmiteiros indianos se locomovem de bicicleta e utilizam o sistema público de transporte como apoio a seu trabalho.

A saga dos marmiteiros de Bombaim remonta ao ano de 1890, quando a Índia ainda era uma colônia inglesa. O serviço teria começado do desejo de um escriturário britânico de comer no trabalho as refeições preparadas em casa por sua mulher. Desde que o trabalho de entrega foi organizado, há mais de um século, sua estrutura e sua lógica permaneceram praticamente inalteradas. Segundo vários especialistas, as características de Bombaim ajudam no serviço. “A malha de trens cobre toda a cidade, e as casas estão concentradas em um extremo da metrópole e os escritórios em outro, o que facilita a organização das entregas”, diz André Duarte, professor e coordenador do curso de graduação de administração do Ibmec São Paulo. “Por isso, os dabbawalas dificilmente poderiam reproduzir o modelo em grandes capitais brasileiras. Mas a estrutura dos indianos serve como fonte de inspiração pela simplicidade.”

Manter a eficiência do trabalho nos dias de hoje representa um enorme desafio para os marmiteiros. Bombaim é atualmente uma das metrópoles que mais crescem no mundo. Segundo a consultoria imobiliária americana Cushman & Wakefield, a expansão esperada para 2008 em área de edifícios comerciais é de cerca de 2 milhões de metros quadrados, o equivalente a 25% da área total existente na cidade de São Paulo. Ao mesmo tempo que a expansão de Bombaim vai tornar mais complexo o serviço dos dabbawalas, também deve garantir a multiplicação de clientes dos marmiteiros. “O serviço deles permanece extremamente barato. O preço dos restaurantes e redes de fast food na zona comercial de Bombaim pode ser até 15 vezes maior que o serviço de entrega de marmitas. Dependendo da distância entre sua casa e o escritório, o cliente paga de 4 a 8 dólares por mês a um dabbawala. Por isso, a expansão da rede de alimentação da cidade nunca ameaçou os negócios dos marmiteiros”, disse a EXAME Ravi Anupindi, professor de logística da escola de negócios Stephen M. Ross, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

A quase lendária eficiência dos marmiteiros indianos teria sofrido na história apenas alguns episódios de atrasos dignos de nota. Um deles ocorreu recentemente. No final de julho, devido a uma ameaça de bomba nas estações de trem de Bombaim, vários marmiteiros foram revistados durante o trajeto, o que gerou um atraso de 30 minutos para algumas entregas. Continuar o trabalho, a todo custo, representa uma questão de honra para os marmiteiros. Numa visita à cidade, em 2003, o príncipe Charles, herdeiro da coroa britânica, teve a oportunidade de comprovar como trabalho e senso de missão se misturam no dia-a-dia desses operários. Na programação oficial, Charles pediu que seus assessores agendassem um encontro com os famosos dabbawalas nos arredores da estação Churchgate durante uma das etapas das entregas. O príncipe tinha a seu lado o presidente da associação dos entregadores, Raghunath Medge, e ouviu admirado a descrição do funcionamento da organização. “É fascinante! Tudo é feito sem a necessidade de computadores”, disse Charles na ocasião. O príncipe conversou por apenas 10 minutos com os operários — afinal, eles tinham um horário a cumprir. Educadamente, eles explicaram ao ilustre visitante que não podiam deixar seus 200 000 clientes esperando pela comida quente — e voltaram ao trabalho.